sexta-feira, 3 de junho de 2011

Daizon Pontes


Título :
Daizon Pontes
Autor :
Marco Antonio Damian .
Descrição:
Era conhecido pelo apelido de Papa-Fila, até hoje não de sabe o por quê, e ele (Daizon), não que ouvir falar...
Acervo de :
Marco Antonio Damian
Relacionamentos :
Pessoas
| Crônicas de Futebol |
Inserido em :
25/02/2010 09:46:25 | Cód.: 4299
 
Conteúdo :
 DAIZON PONTES
 
Zagueiro que foi uma lenda do futebol do Rio Grande do Sul. Não apenas pela técnica, pois ele tinha técnica, mas especialmente por seu um, digamos, bad-boy, para usarmos uma expressão da moda. Sua vida esportiva foi feita basicamente no Gaúcho. Embora tenha defendido o Flamengo e o América do Rio de Janeiro, Pelotas e Cruzeiro de Porto Alegre.
 
Gaúcho de General Câmara chegou a Passo Fundo, vindo do Elite de Santo Ângelo, clube onde se profissionalizou, em 1961. Era conhecido pelo apelido de Papa-Fila, até hoje não de sabe o por quê, e ele (Daizon), não que ouvir falar. Deixou o Gaúcho e foi para o Cruzeiro, onde participou de uma excursão pelas Américas. Na Costa Rica deu um carrinho num cachorro que entrou inadvertidamente no gramado. O infeliz animal não morreu, mas a torcida enfurecida gritava: “assassino del perro” .
 
Foi para o Flamengo e depois América. Regressou ao futebol gaúcho no Pelotas. Em 1965, retornou ao alviverde para se tornar o zagueiro mais temido pelos atacantes adversários.
 
Foi campeão da segunda divisão, em 1966 e a partir do ano seguinte, a crônica esportiva conheceu mais intimamente Daizon Pontes. Quando se abria aquela tampa de metal do túnel que dava acesso ao campo e entravam aqueles guerreiros vestindo verde, Daizon se destacava e os adversários tremiam. Alto, encorpado, feio, com os cabelos longos e desalinhados e uma cara de mau, apenas comparada aos atores coadjuvantes dos faroestes italianos. Ao iniciar a partida Daizon chegava ao ouvido do atacante que estivesse mais perto e começava a intimidação verbal, aliada também aos discretos chutinhos no calcanhar e às “biabas” na orelha, além é claro das famosas puxadas de cabelos. No tempo de Daizon, final dos anos 60 e anos 70, todos nós usávamos cabelos compridos, era a moda. Era o xerifão de sua área. Cabeceava muito bem, tinha técnica na antecipação da jogada e desarmava muito bem também na bola ao chão. Mas, notabilizava-se por seu mau.
 
Daizon Pontes tem o recorde de expulsões; dava declarações com bombásticas na imprensa, antes das partidas, intimidando juízes e adversários; recusava-se a realizar exames anti-doping e num dos que fez, deu positivo e foi suspenso; bateu em adversários; passava a mão em suas nádegas; cuspia na cara deles; provocou brigas generalizadas em campo; discutia asperamente com os árbitros, e num deles desferiu dois potentes socos, ao melhor estilo Mike Tayson enfurecido, em José Luiz Barreto; foi mais uma vez suspenso. Enfim, tudo o que o fez ficar conhecido, passados quase 40 anos após ter deixado o futebol.
 
Enquanto Daizon jogou e alguns anos após ter parado, a cada início de campeonato gaúcho, os jornais lembravam as agruras do inverno rigoroso do Rio Grande Sul, campos embarrados e esburacados e a violência gerada pelos zagueiros interioranos, evidentemente com a foto dele estampada na capa.
 
Seus últimos clubes foram o Guarani de Espumoso e o 14 de Julho de Passo Fundo, time que odiava enquanto defendia o Gaúcho. Foi funcionário público municipal até se aposentar em meados dos anos 90. Reside em Passo Fundo e é facilmente encontrado pelas ruas do centro da cidade. Todos o reconhecem. Daizon não gosta muito de falar do futebol do seu tempo.

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