terça-feira, 13 de março de 2012

Como parar Neymessi


Vendo os moços pensei: 'Fora uma tropa de choque, quem, do gênero humano, frearia os dois?'




Amigo torcedor, amigo secador, só a Scotland Yard seria capaz de parar os meninos Neymar e Messi, esses MacGyvers da bola. Só pode ter um barbante invisível entre as chuteiras destes rapazes e a pelota.

Não é possível.

Vendo estes moços, pobres moços, em atuação anteontem fiquei viajando: "Fora uma tropa de choque, quem, do gênero humano, frearia os dois?".

A ingênua pergunta nos põe a viajar no tempo e no espaço.

Vamos juntos. De cara, penso logo no Dinho, o bravo volante de Sport e Grêmio, entre outros clubes. Ao lado de Sandro Goiano, óbvio.

Em atividade, o primeiro nome que surge é o Everton Sena, do Santa Cruz, carrapato de culhão de boi, para usar uma sensível metáfora agropecuária.

Chicão, do tricolor paulista, com seu destemido bigode, faria a molecada tremer na base. Valdemar

Carabina, Palmeiras, idem. E o Marcio Nunes, do Bangu, aquele que pegou o Zico?

O açougue é farto. O técnico Felipão, na zaga do Novo Hamburgo e do CSA, também seria uma aposta.

Não estamos falando de deslealdade, amigo, só do fino da bola.

Com classe mesmo, apostaria no Gamarra, o paraguaio que guardava a meta como um xavante guarda a taba.

O uruguaio Lugano também não fica atrás. Tremei, meninos do Camp Nou e da Vila.

Mas voltemos aos açougueiros autênticos.
O gremista Marcelo Ferla me lembra aqui do Daison Pontes, do Gaúcho de Passo Fundo, entre os anos 60 e 70.

Foi o jogador mais vezes expulso no futebol brasileiro; na última vez, agrediu a socos o juiz José Luiz Barreto em 74, recorda o amigo sulista.

Daison jogava ao lado do irmão, João Pontes, o que significava que entrar na área do Gaúcho era como enfrentar John Wayne e Clint Eastwood num "saloon" poeirento do Velho Oeste -o estádio Wolmar Salton só era menos temido que a Pedra Moura, do Grêmio Bagé, de onde veio o grande Beto Bacamarte, velho parceiro de Beto Fuscão, outro gigante, na parede gremista.

Por que não lembrarmos também do Merica? Dos rubro-negros Sport e Flamengo. Era um bravo canavieiro em campo. Daqueles caboclos de lança do maracatu de Nazaré da Mata. Só entrava fumaçando. Como quem toma cachaça com pólvora.

Bora contemplar duas contribuições gringas do site Trivela. O marroquino Rachid Bouaouzan, do Sparta Roterdã, e Carlos Pachamé, do Estudiantes, final dos anos 60 começo dos 70. Batia pouco.

Não. É injustiça falar do Domingos. Tem sido uma moça, um leitor de Proust na zaga do Bugre.

Xico Sá

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