domingo, 28 de maio de 2017

Diferença Técnica é Brutal



Presença da dupla Gre-Nal na Terceirona gera controvérsia: 

"Diferença técnica é brutal"

Gilmar Rosso, presidente do Gaúcho de Passo Fundo, é o mais irritado com a participação dos maiores clubes do Estado com os times B
Por:  ZH   Wendell Ferreira    25/05/2017

Diferença de estrutura, tradição e salários. A discrepância na realidade entre a dupla Gre-Nal e os pequenos, que é comum na elite do futebol gaúcho, transferiu-se para a Terceirona em 2017. 

Mas os pontos positivos da presença dos grandes no Estadual, contudo, não se repetem no nível inferior. Os públicos são baixos e as rendas não fazem valer a pena a grande diferença técnica. O que era uma reclamação exclusiva do Gaúcho de Passo Fundo virou uma crítica quase geral: muitos clubes do Interior estão insatisfeitos.
— A princípio, seria uma grande novidade, um incentivo de público. Mas a superioridade deles é muito grande. Quando foi apresentado, a gente achava que seria interessante, porque seriam só jogadores até 23 anos sem passagem pelos times principais. Mas não tem sido assim. Não adianta chorar as mágoas agora, paciência — analisa Tiago Guidotti, presidente do Farroupilha.

A posição mais crítica segue com Gilmar Rosso, presidente do Gaúcho. Único dirigente que contestou a presença da dupla Gre-Nal desde o início, Rosso afirma que os grandes descaracterizam a competição.
— Todos os clubes concordaram com isso. Eu levantei a mão, estava na última fileira e desci as escadas. Disse que aquilo era uma várzea, pedi para constarem em ata a minha frontal discordância àquela barbaridade. Falei que se o Gaúcho fosse prejudicado, poderia entrar na Justiça. Os presidentes dos clubes são os responsáveis por isso. Estão se vendendo para ter uma renda com Grêmio e Inter, mas ninguém vai aos jogos. E a diferença técnica é brutal — assegura.

As críticas, contudo, não partem de todos os clubes. Miguel Bastos Duarte, presidente do Rio Grande, diz que a inclusão da Dupla foi aceita pela maioria e força os times do Interior a qualificar seus elencos.
— Por mim, não tem problema. A diferença técnica, claro que houve. Mas não tem descontentamento, no meu ponto vista. Nós temos uma empresa que terceirizou o nosso futebol, e ela também não teve oposição a isso — explicou o mandatário do clube rio-grandino.

O presidente da FGF, Francisco Novelletto, admite que a diferença técnica é grande. Mas diz que a valorização que a Terceirona recebe compensa.
— Tem equipe que paga R$ 500, R$ 600. Os meninos da Dupla ali chegam a ganhar R$ 20 mil, R$ 30 mil. Claro que há uma grande diferença. Mas acho ótimo que o campeonato se valoriza, e isso não tira vaga de ninguém. Quando a Dupla joga no Interior, lógico que dá mais público.

Rosso lembrou do jogo contra o Grêmio no dia 8 de abril, em Eldorado do Sul.
— Ficamos várias dias trabalhando. Marcam o jogo em Porto Alegre às 13h. Grêmio jogando com o goleiro Léo, que agora é reserva do Grohe, com Wallace Oliveira, com Rex, Negueba. Um monte de caras do time principal. Foi 7 a 1. Eram quase 40°C naquele horário. Cadê o sindicato dos atletas? Cadê os advogados de porta de estádio? — questionou o dirigente.

Para dar preferência aos clubes do Interior, algumas regras especiais foram impostas. Nas fases de mata-mata, a dupla Gre-Nal sempre decidirá fora — mesmo que tenha melhor campanha. Os grandes também não podem subir, e as vagas para a Divisão de Acesso de 2018 ficarão com os dois pequenos mais bem classificados.

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