sábado, 2 de setembro de 2017

Não tem como.......

Copa Paulo Sant`Ana não atrai torcedores e amplia prejuízos do Interior
Dos borderôs divulgados pela FGF, apenas quatro jogos tiveram público superior a 100 torcedores.






No domingo passado, dia 27, Nova Prata e Inter entraram em campo pela Copa Paulo Sant’Ana, em Veranópolis. Apesar de o horário ser de certa forma atrativo, 11h, havia mais gente em campo do que nas arquibancadas do estádio Antônio Davi Farina, visto que apenas 17 ingressos foram vendidos. 
  • Antes fosse essa uma exceção na principal competição do futebol gaúcho no segundo semestre do ano. Mas não é. 

  • Dos 14 borderôs divulgados no site da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) até o momento, em apenas quatro jogos o público foi superior a 100 torcedores. Se levados em conta árbitros, reservas e comissão técnica, em pelo menos outras cinco partidas a torcida era inferior ao número de profissionais envolvidos nos duelos. E não há nenhum indicativo de que a situação vá melhorar a curto prazo. 

  • Sobram justificativas para todos os lados, desde o pouco interesse do público, passando pelo parco espaço dedicado pela imprensa em geral para divulgar a competição. Mas o problema vai além.
  • “O país todo está em crise. O país quebrado, o Estado quebrado, com salário parcelado. Tu sai para ir ao jogo e pode ser assaltado. Chega ao estádio e não pode tomar uma cervejinha. Por outro lado, se fica em casa, há uma série de jogos passando na televisão”, observa o presidente da FGF, Francisco Novelletto. Ao contrário do Campeonato Gaúcho, em que a Federação recebe uma verba pelos direitos de transmissão, a Copa Paulo Sant’Ana é deficitária por todos os lados. Sem televisionamento e sem patrocinadores, a entidade não recebe um centavo. De quebra, ainda arca com os custos de arbitragem de todas as partidas, um valor que gira em torno de R$ 1,6 mil por jogo.

  • De acordo com Novelletto, o prejuízo com o que se deixa de arrecadar beira R$ 1 milhão. Se para a FGF a conta já não fecha, imagine a situação dos clubes. Com públicos que dificilmente passam de 100 torcedores, todo jogo é um prejuízo. Isso porque afora o que consta no borderô, existem ainda outros custos, como o pagamento de funcionários e até mesmo luz no caso de jogos noturnos. Gerente executivo do Aimoré, Lucas Konrath calcula que cada vez que o clube abre o estádio Cristo Rei, o custo é de R$ 2 mil. Com uma folha salarial em torno de R$ 35 mil, não é difícil perceber porque a situação financeira da maioria dos clubes gaúchos está no vermelho. No caso do Aimoré, a direção recorre a alternativas fora de campo. Uma delas é o aluguel que recebe de uma empresa de telefonia por ceder o espaço a uma antena de telefone.

  • A lista de interessados em participar da competição tinha, inicialmente, 30 clubes, revela Novelletto. Com a proximidade do início, 18 desistiram, entre eles o Sapucaiense. “O futebol do interior do Estado, com raras exceções, está falido”, comenta o presidente do clube, Chico Christianetti. De acordo com o dirigente, não há interesse por parte dos patrocinadores, que sabem ser difícil obter retorno com tão pouca divulgação e tão pouco público. O que, por consequência, torna inviável a participação dos clubes. “Não posso disputar uma competição só para contentar os cento e poucos torcedores que vão ao estádio”, lamenta.

  • Sem um cenário otimista a curto prazo, para alguns clubes do Interior a saída tem sido a parceria com empresários, que arcam com os custos, mesmo sabendo do prejuízo. Isso porque o retorno se dá com a negociação de jogadores, que ganham mais visibilidade.

  • Jornal Correio do Povo 

Nenhum comentário:

Postar um comentário