quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Futebol do interior gaúcho se afunda


Futebol do interior gaúcho se afunda atrás de MG no cenário nacional

Acreditem: em Santiago do Chile estão discutindo o Gauchão 2011! Lamentavelmente, temos outra reunião da Federação Gaúcha de Futebol para discutir o Estadual 2012 no exterior, repetindo o que já aconteceu em outras duas oportunidades, com tudo bancado para os dirigentes dos clubes. Enquanto se vê um mundo de fantasia com a alta cota 650 mil reais de cotas distribuídas aos times do interior do RS, caminhamos para trás no cenário nacional.
Sim, é evidente que Grêmio Internacional seguem protagonistas no cenário de elite, mas estou falando dos demais times. Caiu para a metade a representatividade do interior gaúcho no cenário nacional.Existe um abismo financeiro entre a Primeira Divisão gaúcha e o resto, brilhantemente analisado por Iuri Müller e Maurício Brum no artigo: Interior gaúcho: os longos caminhos de um futebol sem dinheiro. Em competições nacionais há pouco apoio financeiro para as viagens longas.
No início do ano, fiquei escandalizado com a Série "Los de Abajo" no magnífico "Impedimento.org", em especial com a penúria do Gaúcho de Passo Fundo.
Wolmar Salton, estádio do Gaúcho de Passo Fundo, preciso falar algo? - Foto: Sport Club Gaúcho
Nesta entrevista ao site Peleia FC, o presidente Novelletto diz: "Eu vou te dar o exemplo de Santa Catarina. Lá são pólos, aqui nós temos Grêmio e Internacional. Em Santa Catarina cada cidade tem seu pólo regional e por isso eles são fortes em séries C e B. Aqui não, eles torcem para o Inter de Porto Alegre e o Grêmio. Você vai a Joinville e lá não tem  ninguém torcendo para Avaí e Figueirense. Já aqui tudo flui para lado de Grêmio e Inter, por isso temos dois grande clubes supercampeões mundiais, que por um lado é bom, mas em contra partida, temos um futebol do Interior bastante fraco."
Esta análise está correta, porém parte de uma premissa errada: a comparação não pode ser feita com o futebol catarinense e sim com o futebol mineiro, que também tem 2 grandes clubes de massa no estado dividindo as atençõees. E olha que Minas Gerais é tradicionalmente muito fraco nos clubes do interior, mesmo considerando o América-MG desta maneira.
  • Em 2002, quando Novelleto substituiu Emídio Perondi e assumiu a FGF, o RS tinha 3 times na Série A (Grêmio, Internacional e Juventude), 1 na B (Caxias) e 2 na Série C (Brasil de Pelotas e Ulbra).
  • Em 2012 terá : 2 times na Série A (Grêmio e Internacional), nenhum na Série B há 5 anos, Caxias na Série C.
  • Em 2002, MG tinha 2 times na Série A (Atlético-MG e Cruzeiro), 1 na Série B (América-MG) e 2 na Série C (Ipatinga e Tupi).
  • Em 2012, o futebol mineiro terá (considerando a indefinição do rebaixamento na Série A): 5 times nas Séries A e B (América-MG, Atlético-MG, Cruzeiro, Boa e Ipatinga), mais oTupi na Série C.
Enquanto o RS caiu de 6 para 3 times, MG subiu de 5 para 6 nas mesmas divisões. E Ipatinga e América-MG foram promovidos para a Primeira Divisão, algo que não esteve nem perto de ocorrer com nenhum time gaúcho.
Um dos grandes problemas é o calendário do Gauchão. O que na tese de Novelletto é bom, 16 times na Série A com um regulamento que exige muitos jogos, na prática se torna um tiro no pé. A Dupla Gre-Nal joga muitas vezes com time reserva, especialmente se estão na Libertadores, e isto afugenta o público e cria desinteresse da opinião pública. O Campeonato Mineiro tem apenas 12 times e muitas datas a menos: 15 contra 21 23 (valeu, André pela correção).
Mudanças urgentes deveriam estar sendo tomadas por clubes do interior.
Mas quem está na Primeira Divisão não pensa em mudar.
E quem comanda não consegue ver outras soluções.
Pobre futebol gaúcho

Nome: Alexandre Perin
Analista de T.I. da área Online do grupo RBS, também um apaixonado e profundo estudioso dos esportes.


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