domingo, 2 de março de 2014

BEBETO QUEM FEZ E FAZ HISTÓRIA ...

Histórias de Bebeto, o Canhão da Serra

Postado por luiz_Zini Pires 
Zero Hora 

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No texto do jornalista Lucas Scherer, autor de Bebeto, O Canhão da Serra (Passo Grafic, 160 pág, R$ 24,90), que será lançado quarta-feira em Passo Fundo, o goleiro Manga definiu Bebeto (1946-2003) após sofrer três gols num treino no Beira-Rio:
– Acho que esse cara comeu sabiá. Ele chuta a bola de qualquer jeito e quando a gente vê está lá dentro do gol.
Um dos ícones do futebol gaúcho, famoso pela violência do seu chute de pé direito, Bebeto (na foto acima entre Everaldo e Ancheta) jogou em 11 times – Grêmio (1970 e 1971) e Inter (1968, 1976 e 1977) – marcou 395 gols (173 só no Gauchão) em 744 jogos.
Natural de Soledade, Alberto Vilasboas dos Reis é o maior artilheiro da história do Gaúcho, de Passo Fundo, e goleador do Caxias no Campeonato Brasileiro.
O design da capa (à direita) é do colega Gonza Rodriguez.

:: Abaixo, algumas histórias de Bebeto, segundo o autor do livro:
Nas fotos acima, Bebeto com as camisas da Dupla e no Gaúcho, cumprimentando Figueroa
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Jogo Gaúcho 2×2 Grêmio, em 25/2/1968:
Este foi o “jogo do pai do Bebeto”. O Gaúcho perdia até os 43 minutos do segundo tempo, quando Meca cruzou da direita para Bebeto empatar. A bola bateu no travessão, na rede e nos ferros de sustentação da trave para finalmente tocar o gramado depois da linha do gol e ser agarrada pelo goleiro gremista Arlindo. O gol legítimo foi confirmado pelo bandeirinha.
Aí começou a confusão.
Arlindo, ainda segurando a bola, e o capitão gremista Sérgio Lopes foram reclamar a validade do gol. O árbitro da partida, prevendo problemas, tentou se proteger na mesa onde estava o delegado da Federação Gaúcha de Futebol. Lá também estava Aparício dos Reis, pai de Bebeto e delegado de polícia, que tinha problemas de visão. Ele cometeu dois erros: primeiro, pensou que o gol havia sido anulado pelo árbitro; segundo, que Arlindo, o goleiro gremista vestido todo de preto, fosse o árbitro. O delegado acertou então um tapa no rosto de Arlindo. Nisso, seu casaco abriu, aparecendo o revólver.
A confusão logo foi controlada, mas a imprensa de Porto Alegre deu uma versão diferente: o pai de Bebeto, de arma em punho, teria invadido o campo e dado um tiro para o alto, forçando o árbitro a validar o gol irregular do time da casa. Já  para a revista Placar não houve tiro, mas seu Aparício teria colocado o revólver na cara de Arlindo para que ele não reclamasse da legitimidade do gol.
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Jogo Gaúcho 7×1 Santa Cruz, em 30/3/1969
A torcida que foi ao estádio Wolmar Salton naquele domingo assistiu àquela que é considerada a melhor atuação de Bebeto pelo Gaúcho: quatro gols na vitória por 7-1 sobre o Santa Cruz.
Os gols do Canhão: aos 16 minutos do primeiro tempo, escanteio para o Gaúcho. Bebeto cabeceou no canto direito do goleiro. Gaúcho 1-0. Aos 28 minutos: Bebeto foi lançado por Zangão às costas do zagueiro Gildo e chutou na saída de Lory. Gaúcho 2-0. Aos 12 minutos do segundo tempo: Honorato matou a bola no peito e lançou para Bebeto, que bateu firme. Gaúcho 4-1. Aos 30 minutos do segundo tempo: Luiz Antônio subiu ao ataque e lançou Meca, que tocou na área; Flávio dominou e fez a assistência para Bebeto chutar forte. Gaúcho 6-1.
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Jogo Gaúcho 2×1 Internacional de São Borja, 13/6/1976 (O FAMOSO JOGO DA REDE FURADA PELO CHUTE DE BEBETO)
O jogo em si não teve muita importância, mas o segundo gol de Bebeto foi um daqueles lances folclóricos.
Pênalti a favor do Gaúcho. Na cobrança, o atacante chutou a bola com tanta violência que furou a rede do gol defendido por Luiz Alberto. A cena do árbitro Rui Cañedo consertando a rede ficou imortalizada e deu ainda mais força à mística do “Canhão da Serra”.
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Jogo Gaúcho 2×3 Grêmio, pelo Gauchão de 1976 (CEJAS NÃO VIU A BOLA…)
Talvez esta tenha sido a melhor apresentação do Gaúcho contra a dupla Gre-Nal. O técnico Adair Bicca montou um bom esquema de marcação, não dando liberdade a nenhum jogador gremista. O Grêmio só conseguiu marcar o gol da vitória aos 44 minutos e meio do segundo tempo.
O gol mais fantástico daquela tarde viria um pouco antes. Pedro atraiu a defesa do Grêmio e lançou Roberto, que chutou. A bola bateu na zaga e subiu. Ao vê-la cair, Bebeto acertou um voleio “com uma violência indescritível”, como lembra a crônica da partida publicada no jornal O Nacional. A bola entrou no ângulo esquerdo de Cejas: Gaúcho 2-1. O goleiro argentino diria:
— ¡Ni vi! ¡Ni vi! (Nem vi! Nem vi!)
Mas a sorte pararia de sorrir para o Gaúcho. Quatro minutos depois, em uma cobrança de escanteio, a bola sobrou para Eurico, que chutou forte de fora da área. A bola bateu no travessão e no rebote tocou nas costas de Ronaldo, entrando no gol: 2-2. Faltando 30 segundos para o fim do jogo, o golpe fatal. Eurico cobrou falta da meia-direita gremista. Alcino ganhou no alto e cabeceou no ângulo esquerdo de Ronaldo.
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Jogo Flamengo 1×1 Caxias, Brasileiro de 1978
As mais de 27 mil pessoas que foram ao Maracanã ver Zico, Carpegiani, Júnior e Adílio assistiram a um show de Bebeto.
O Canhão abriu o placar com um chute de fora da área, depois de receber um passe de Luiz Freire. Zico empatou. Bebeto ainda teve a chance de dar a vitória ao Caxias. Só que a bola acertou o travessão de Cantarelli, aos 38 minutos do segundo tempo.

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Uma história do tempo em que esteve no Inter em 1976-1977
Bebeto foi vendido pelo Caxias ao Inter no final de 1976. Sua contratação, um pedido do técnico Rubens Minelli, foi anunciada no dia da conquista do bicampeonato brasileiro sobre o Corinthians. Bebeto era o primeiro reforço do Inter que tentaria o tri brasileiro e o inédito título da Libertadores da América em 1977.
O sonho de disputar os títulos nacional e da América deu espaço à frustração em poucos dias. Bebeto viu a repetição do que acontecera em 1968. Minelli pediu demissão e foi substituído por Carlos Castilho, que estava no Operário de Campo Grande.
A concorrência no ataque colorado era forte. O titular era Dario, o Dadá Maravilha, artilheiro do campeonato brasileiro de 1976. Bebeto lutou por um lugar. Em um coletivo marcou três gols no empate por 6-6 entre titulares e reservas, deixando o goleiro Manga (que abominava sofrer gol do time reserva) furioso. Inexplicavelmente, Bebeto acabou sendo a quarta opção de Castilho para o ataque, atrás ainda de Pedro, seu ex-companheiro de Gaúcho, e de Joãozinho Paulista.
Novamente pouco aproveitado, e sem jogar nenhuma partida oficial, o Canhão da Serra voltou para o Caxias no final de março de 1977.
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:: Gols por clubes

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