sábado, 7 de março de 2015



DAS ARQUIBANCADAS PARA A HISTÓRIA
Autor: Redação Jornal Diário da Manhã  Passo Fundo

 “Me dá só um minuto, por favor”. Assim, com a voz embargada, o presidente do Sport Club Gaúcho, Gilmar Rosso, pediu um pouco mais de tempo para controlar a emoção. O assunto não era a apresentação do novo técnico, do elenco ou mesmo um parecer sobre o andamento das obras na Arena Wolmar Salton. Na última quinta-feira (26), o clube se despediu de um dos seus mais fanáticos torcedores: Volmar Godinho, aos 47 anos, faleceu em decorrência de uma embolia pulmonar.

Todos os sábados à tarde, Volmar visitava a Arena. Acompanhava de perto cada pequeno avanço da nova casa do seu time do coração. No antigo estádio não era diferente. “Ele era torcedor fiel do Gaúcho. Poderia faltar o presidente, o treinador, os jogadores, mas ele sempre estava nos jogos. A determinação dele motivava a gente. Às vezes, estávamos meio desanimados, olhávamos para a arquibancada e estava o Volmar lá”, relata o presidente.

Nas redes sociais, as fotos e depoimentos de amigos ratificam a paixão pelo time. A vontade de ver as cores verde e branco serem defendidas em campo era tanta que ele não media esforços para colaborar com o clube. Após a morte do pai, em maio de 2014, Volmar procurou o presidente para contribuir com a obra. “Ele me disse que o pai dele havia lhe deixado um legado, que sempre acreditou que iríamos conseguir fazer o nosso estádio, e, por isso, quis colaborar com o pacote da venda de uma camiseta, que corresponde ao valor de 20 sacos de cimento. Ele sequer quis a camiseta, apenas ajudar”, conta.

No final de semana anterior ao seu falecimento, Volmar comprou o outro pacote, equivalente a 10 sacos de cimento. Novamente, autorizou o presidente a doar a camiseta para outra pessoa, mas manifestou que gostaria de ter uma igual à da comissão técnica do clube. “Prometi que buscaria uma e que, na próxima vez que o visse, eu lhe entregaria a camiseta. Não tive tempo de fazer isso”, lamenta Gilmar Rosso.


O torcedor fiel não estará mais nas arquibancadas torcendo pelo clube. Infelizmente, ele não teve tempo de ver a Arena pronta, as redes balançando e o grito de gol ecoando pelas arquibancadas. No entanto, Volmar estará para sempre marcado na história do Gaúcho: a pedido da família, as cinzas dele foram espalhadas pelo gramado da nova casa do Periquito no dia 28 de fevereiro. “Pessoas como o Volmar não podem ser apagadas, não tem como tirar do coração. Agora, o Gaúcho não vai mais jogar com 11, mas com 12 jogadores em campo”.

Foto: Divulgação

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