sexta-feira, 31 de dezembro de 2010


Sua majestade, Peninha

Patrono da Feira do Livro deste ano, Peninha encerrou sua meteórica passagem
por Passo Fundo na tarde deste sábado, com palestra onde brincou falando
sério sobre história, literatura, futebol e política: 
            Com frases como “o Brasil é um país esquizofrênico!”, “não acredito que vocês, passo-fundenses, deixaram que se perdesse um time e um estádio como o do Gaúcho!” e “entre os tipos de governo sou mais adepto da monarquia, desde que, claro, eu seja o rei!”, Eduardo Bueno fez sua 1h de palestra passar voando no palco da 24ª Feira do Livro de Passo Fundo. Ao jogar com assuntos de todos os tempos e das mais diversas dimensões geográficas, criou uma espiral quase sem fôlego de exaltações, ensinamentos e boas risadas. Metido a piadista (e dos bons), Peninha demonstrou em vários momentos a lucidez, a coerência e o esclarecimento que só alguém que conhece profundamente a história do Brasil consegue ter a respeito da realidade atual. “É piegas e repetitivo, mas tenho que dizer: um povo que não conhece a própria história está fadado a repeti-la, e eu é que não quero viver tudo aquilo outra vez”, começou.
            Sem medo de se posicionar, afirmou que hoje o Brasil está mais maduro do que nunca, graças a Lula. “Sou um dos seus maiores críticos, mas não importa se você gosta da pessoa dele ou não. Lula foi o primeiro presidente da história do país que veio da classe trabalhadora, e não da elite, e isso faz toda diferença”, explicou. Conhecedor não apenas da história do Brasil, mas também de música – falou de sua paixão por Bob Dylan – e literatura – a famosa tradução de On the road foi um dos temas da palestra -, Peninha ainda declarou com veemência: “Admito que sou um apaixonado por futebol”, aproveitando para brincar com o fato dos muitos gremistas (como ele) na plateia, e alguns poucos colorados, “muito corajosos de aparecerem por ali”.
            Acidamente crítico, definiu a situação do futebol passo-fundense como um claro exemplo de uma população que não exerce seu direito de cidadão. “O Gaúcho é um patrimônio histórico do estado, é um absurdo estar nessa situação, reclamou. Após a palestra, atendeu a uma interminável fila de fãs em busca de apenas um autógrafo. Deu mais: conversador por natureza, trocou ideias com todo mundo, posou para fotos e foi embora depois de quase duas horas deixando para Passo Fundo a sensação de que esse patrono, sim, valeu a pena.

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